A manutenção da taxa Selic em 15% ao ano, decidida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, gerou reações adversas entre representantes da indústria, da construção civil e de entidades sindicais. Eles expressaram preocupações sobre os impactos dessa decisão no crescimento econômico, no crédito e na geração de empregos.
Avaliação da Confederação Nacional da Indústria
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) criticou o nível atual dos juros, considerando-o um peso excessivo para a economia, especialmente em um contexto de queda da inflação. O presidente da CNI, Ricardo Alban, argumentou que o Banco Central deveria ter iniciado o ciclo de redução da taxa de juros.
Impactos na Construção Civil
No setor da construção civil, a preocupação é evidente. Renato Correia, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), observou que juros altos limitam o acesso ao crédito imobiliário e diminuem a demanda por novos projetos. Ele alertou que uma política monetária estrita pode desacelerar a economia, afetando negativamente toda a cadeia produtiva.
Reação das Centrais Sindicais
As centrais sindicais reagiram de forma mais contundente. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) argumentou que a manutenção da Selic contribui para que o Brasil permaneça entre os países com os maiores juros reais do mundo, gerando consequências severas para a população. Juvandia Moreira, presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), destacou que juros altos encarecem o crédito e reduzem o consumo, resultando em menos empregos.
Cenário Econômico e Expectativas
Apesar das críticas, a decisão de manter a Selic foi esperada por muitos analistas, dada a inflação ainda elevada e as incertezas fiscais que cercam o cenário econômico. O comunicado do Copom será determinante para compreender se haverá uma sinalização de início do ciclo de cortes nos juros.








