Na quinta-feira, dia 15, a administração municipal de São Paulo executou a desocupação do terreno que abrigava o Teatro de Contêiner Mungunzá, localizado no centro da metrópole. A medida, que se arrastava há quase uma década, foi acompanhada pela Guarda Civil Metropolitana (GCM) e ocorreu de maneira pacífica, conforme anunciado por um comunicado oficial da prefeitura.
Motivos da Desocupação
A ação se deu em conformidade com uma decisão da 5ª Vara da Fazenda Pública, que determinou o fim da permanência do grupo teatral no local. Embora a Justiça tenha concedido anteriormente uma liminar que permitia a estadia do teatro por 180 dias, essa autorização foi posteriormente reduzida para 90 dias, intensificando a urgência por uma solução.
Reação dos Gestores do Teatro
Lucas Breda, um dos administradores do Teatro de Contêiner, expressou surpresa com a decisão da prefeitura, afirmando que tentaram estabelecer contato com as autoridades desde dezembro, mas não obtiveram retorno. A situação se complicou ainda mais com a interdição do espaço, que impossibilitou a equipe de acessar seus pertences e materiais.
Mudança para Novo Espaço
Apesar das dificuldades, Breda revelou que a companhia já havia concordado em se mudar para um novo endereço, na rua Helvétia, 807, também na região central. No entanto, a falta de acesso ao antigo local impede a realização da mudança de maneira organizada, o que tem gerado apreensão entre os membros da equipe.
Apelo por Diálogo
Marcos Felipe, outro gestor da companhia, utilizou as redes sociais para solicitar mais tempo e diálogo com a prefeitura. Em um vídeo, ele enfatizou a importância de um acesso controlado ao espaço lacrado, lamentando a falta de comunicação e o impacto emocional que a situação traz para a equipe, que se vê sem acesso à sua história e aos seus materiais de trabalho.
Contexto da Disputa Judicial
A disputa pela posse do terreno tem suas raízes em um plano da prefeitura para revitalizar a área, com a construção de unidades habitacionais populares e uma quadra de esportes. Nos últimos meses, a classe artística se mobilizou em apoio ao Teatro de Contêiner, com figuras renomadas como Antônio Fagundes e Fernanda Torres fazendo apelos pela preservação do espaço cultural.
Conclusão
O desfecho da situação do Teatro de Contêiner Mungunzá levanta questões sobre a relação entre a cultura e a administração pública em São Paulo. Enquanto a prefeitura busca atender às demandas urbanísticas, os gestores do teatro clamam por um diálogo que permita uma transição mais organizada e respeitosa, preservando a memória e o legado do espaço. A continuidade da mobilização artística poderá influenciar os próximos passos dessa história.
