O filme Abigail, que vem dominando o Top 10 da Netflix, entrega muito mais do que um terror sangrento com uma criança vampiresca no centro da história. Por trás da violência estilizada, das reviravoltas e do humor macabro, existe um desfecho carregado de simbolismo sobre abandono, poder, escolhas morais e a ilusão de controle.
O que acontece no final de Abigail?
No clímax da história, restam apenas Joey e Frank vivos após o massacre promovido por Abigail. É então que o filme revela mais uma virada importante: Lambert também era um vampiro, transformado por Abigail anos antes, e pretendia usar Frank para eliminar tanto a garota quanto seu pai, Kristof Lazar.
Frank, porém, tinha outros planos. Ambicioso e consumido pelo desejo de poder, ele decide trair Lambert e tenta matar Abigail para assumir o posto de grande vampiro da história. O conflito final se estabelece quando Joey tenta impedir Frank, é gravemente ferida, mas sobrevive o suficiente para aceitar um acordo improvável com Abigail: ajudá-la a derrotar Frank em troca de sua liberdade.
Por que Abigail deixa Joey viver?
A decisão de Abigail não é apenas uma questão de honra por um acordo selado. Joey foi a única integrante do grupo que, desde o início, tratou Abigail como alguém além de um 'alvo'. Ela protegeu a menina, demonstrou empatia e, no momento decisivo, escolheu salvá-la mesmo tendo a chance de fugir ou tomar o poder para si.
Existe também um subtexto emocional poderoso: Joey carrega a culpa de ter abandonado o próprio filho, Caleb. Abigail, marcada pelo abandono emocional do pai, reconhece esse vazio. Ao poupar Joey, ela quebra um ciclo. Diferente de Kristof, que se afastou da filha, Abigail escolhe não repetir o mesmo erro, permitindo que outra criança não cresça sem mãe.
Quem é o pai de Abigail e o que isso muda?
Interpretado por Matthew Goode, Kristof Lazar nunca é explicitamente chamado de Drácula, mas tudo aponta para isso. A estética, o poder absoluto, a influência criminosa global e as referências diretas a Dracula’s Daughter indicam que Abigail é uma releitura moderna da filha do vampiro mais famoso da cultura pop.
O detalhe mais importante, porém, está em sua atitude final. Diferente de outras versões cinematográficas de Drácula, Kristof demonstra misericórdia. Ele poupa Joey a pedido da filha, revelando que, apesar de ser um monstro, ainda existe humanidade — ou ao menos afeto — em sua relação paternal. Isso transforma o final em algo menos sobre destruição e mais sobre escolha.
Frank: o verdadeiro vilão da história
Embora Abigail seja apresentada como a ameaça central, o filme deixa claro que Frank representa um perigo mais real. Ele não é movido por trauma ou abandono, mas por ambição pura. Ao se tornar vampiro, Frank enxerga uma oportunidade de dominar, controlar e reescrever a hierarquia do poder.
Seu plano de transformar Joey em uma aliada controlável falha justamente porque ele subestima a força emocional dela — o mesmo erro cometido por todos que subestimaram Abigail. O filme usa Frank para reforçar a ideia de que o verdadeiro horror não está no sobrenatural, mas no desejo humano por poder absoluto.
A verdadeira armadilha: Abigail sempre esteve no controle
Um dos grandes choques do filme é a revelação de que Abigail nunca foi uma vítima. O sequestro foi planejado por ela desde o início. Cada membro do grupo foi escolhido a dedo por seu envolvimento direto ou indireto com o império criminoso de Kristof Lazar.
Mais do que vingança, Abigail buscava atenção. Isolada, entediada e emocionalmente negligenciada, ela acreditava que provocar caos e eliminar os inimigos do pai faria com que ele voltasse para ela. O terror, nesse sentido, nasce menos da sede de sangue e mais da carência.
O verdadeiro significado do final de Abigail
No fundo, Abigail é uma história sobre abandono e identidade. Todos os personagens carregam feridas profundas: pais ausentes, filhos perdidos, lealdades quebradas e escolhas erradas. O filme inverte o jogo clássico do terror ao transformar criminosos em presas e uma criança em juíza.
Fonte: https://mixdeseries.com.br
