A cada ano, a violência armada atinge mais de 250 mil pessoas ao redor do mundo. No entanto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) ainda não desenvolveu um programa consistente para prevenir e enfrentar essa forma de violência como um fator de risco relevante para a saúde pública, conforme aponta um relatório divulgado nesta terça-feira, 10.
A Importância do Reconhecimento da Violência Armada
Segundo Natália Pollachi, diretora de projetos do Instituto Sou da Paz, a violência armada é uma das principais causas externas de morte, especialmente na América Latina. Apesar da gravidade da situação, a OMS não aborda diretamente o problema, ao contrário de iniciativas bem-sucedidas para outras causas externas de morte, como o tabagismo.
Impactos Financeiros no Brasil
No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) gastou R$ 42,3 milhões em 2024 com a internação de 15,8 mil vítimas de armas de fogo, segundo a pesquisa Custos da Violência Armada. Esse montante poderia ter sido investido em diversas medidas de prevenção e tratamento de condições de saúde.
Desafios para o Sistema de Saúde
Apesar de não contar com uma política abrangente, o SUS enfrenta essa realidade diariamente. Milhares de pessoas são internadas anualmente, e muitos serviços de saúde estão localizados em áreas vulneráveis a tiroteios, o que gera pressão sobre os profissionais de saúde, que também enfrentam ameaças.
Influência da Indústria Armamentista
A falta de ação da OMS em relação à violência armada é vista como resultado de pressões políticas e econômicas, com Estados-Membros frequentemente bloqueando iniciativas que tratem o tema como uma questão de saúde pública. A indústria armamentista é apontada como um 'determinante comercial negativo da saúde'.
Propostas da Coalizão
A coalizão sugere que a OMS integre a violência armada em outras iniciativas internacionais já estabelecidas, como os projetos INSPIRE, RESPECT e LIVE LIFE. Além disso, recomenda enfrentar a indústria armamentista e melhorar a coleta de dados sobre mortes e ferimentos provocados por armas de fogo.
Fonte: https://www.infomoney.com.br







