Celso Amorim, assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, recentemente destacou a instabilidade que permeia o sistema internacional, em um artigo publicado na revista The Economist. Ele argumenta que as normas multilaterais estão sendo enfraquecidas, enquanto a força se torna um elemento central nas relações entre os Estados.
A Imprevisibilidade no Cenário Global
Amorim observa que a imprevisibilidade passou a ser utilizada como uma ferramenta de poder e intimidação, substituindo os compromissos que foram estabelecidos ao longo do século 20. Essa mudança, segundo ele, compromete pilares fundamentais como a segurança coletiva e o comércio internacional.
A Intervenção dos EUA na Venezuela
Um dos principais focos do artigo é a operação realizada pelos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro. Amorim considera esse evento um marco que desafia a ideia de que a América do Sul estaria protegida contra intervenções militares externas.
Comparações Históricas
Ele compara a captura de Maduro a eventos históricos, como a prisão de Saddam Hussein, ressaltando a ausência de uma narrativa de legitimidade política. Para Amorim, a expectativa de que intervenções desse tipo fossem superadas se dissipou no atual contexto internacional.
O Princípio da Incerteza
Amorim utiliza a analogia do "princípio da incerteza" da física quântica para descrever a nova dinâmica entre os Estados. Assim como é impossível prever simultaneamente a posição e o movimento de uma partícula, o comportamento dos países tornou-se igualmente imprevisível.
A Defesa do Multilateralismo
Em resposta a esse cenário, Amorim defende que o Brasil deve ampliar suas parcerias e manter seu compromisso com o multilateralismo. Ele enfatiza a importância de princípios como soberania e solução pacífica de controvérsias, mesmo em tempos de crise.
O Papel do Brasil
O assessor destaca que o Brasil tem uma "aposta existencial na paz", refletida em sua Constituição, que prioriza o diálogo diplomático e o uso pacífico da energia nuclear. Ele argumenta que a reforma das instituições internacionais é essencial para garantir uma representação justa do Sul Global.
Fonte: https://www.infomoney.com.br
