As liquidações do Banco Master, decretadas pelo Banco Central (BC) em novembro de 2025, e da gestora de investimentos Reag, revelam um dos episódios mais graves do sistema financeiro brasileiro. O caso envolve suspeitas de fraudes bilionárias e a utilização de fundos de investimento para ocultar prejuízos, além de tensões entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal de Contas da União (TCU) com o BC e a Polícia Federal (PF).
Como Funcionava o Esquema Financeiro
Entre 2023 e 2024, o Banco Master teria desviado aproximadamente R$ 11,5 bilhões através de triangulações complexas. O banco concedia empréstimos a empresas supostamente laranja, que em seguida aplicavam esses recursos em fundos da gestora Reag Investimentos. Esses fundos eram utilizados para adquirir ativos de baixo ou nenhum valor real, inflacionando artificialmente seus balanços.
Estrutura do Esquema de Pirâmide
Para adiar a inadimplência, o Banco Master oferecia empréstimos com carência de até cinco anos, utilizando novos Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) para pagar investidores antigos, configurando um esquema Ponzi. Com a confiança dos investidores abalada em 2024, a captação de recursos diminuiu drasticamente, levando o banco a um colapso financeiro.
Tentativa de Venda de Carteira ao BRB
Em busca de liquidez, o Master simulou a venda de uma carteira de crédito de R$ 6 bilhões, que não existia na prática. Essa operação foi posteriormente revendida ao Banco de Brasília (BRB) por R$ 12 bilhões após manipulação de taxas de juros. A tentativa de fusão de balanços visava mascarar a fraude em um banco público.
Intervenção e Liquidação do Banco
O Banco Central impôs limites à captação do Master e, em abril de 2025, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) começou a cobrir CDBs vencidos. Sem conseguir honrar nem 15% das suas obrigações financeiras, o banco foi liquidado. O controlador tentou aportar recursos por meio da venda de ativos pessoais, mas sem sucesso.
Papel da Reag Investimentos
Os fundos administrados pela Reag foram fundamentais para a sustentação do esquema financeiro. Suspeita-se que a Reag tenha facilitado a criação de empresas laranja para viabilizar empréstimos a seus fundos. Após a segunda fase da Operação Compliance Zero, o Banco Central decidiu pela liquidação da Reag Investimentos, um desdobramento direto do caso Master.
Tensões Entre Órgãos Públicos
Apesar de representar apenas 0,5% dos ativos do sistema financeiro, a liquidação do Banco Master gerou tensões significativas entre diversas instituições públicas. A situação provocou questionamentos no STF, TCU e no Congresso, levando a um acordo entre o BC e o TCU para a inspeção de documentos, preservando o sigilo bancário.
