A Jamaica é conhecida mundialmente por suas deslumbrantes praias de areia branca e coqueiros. Em 2024, a ilha alcançou um marco histórico, recebendo 4,3 milhões de turistas. Apesar desse influxo de visitantes, os jamaicanos enfrentam crescentes restrições ao acesso ao mar.
A Realidade das Praias Públicas
De acordo com a JaBEEM, uma organização que defende o acesso às praias, a Jamaica possui 1.022 km de costa, mas apenas 0,6% desse total é considerado praia pública com acesso livre. A privatização das praias tem se intensificado nas últimas sete décadas, especialmente nos últimos cinco anos, com um aumento significativo na construção de resorts.
Impacto do Turismo e dos Resorts
Embora o turismo gere cerca de US$ 4,3 bilhões anualmente, somente 40% dessa receita fica no país. O crescimento de resorts all-inclusive, que concentram todas as atividades de lazer e refeições, tem contribuído para a redução do acesso dos moradores às áreas litorâneas. Até 2030, estima-se que 10 mil novos quartos de hotel sejam construídos, muitos deles em locais estratégicos.
Praias Pagas e Isoladas
Após desastres naturais, como o furacão Melissa, muitas praias no norte e oeste da Jamaica tornaram-se inacessíveis. O acesso a algumas praias, como a baía de Mammee, está condicionado ao pagamento de uma taxa, dificultando ainda mais a experiência local dos moradores. Nas poucas praias gratuitas restantes, como Dead End e Discovery Bay, a presença de famílias e pescadores ainda é visível.
Questões Legais e Mobilização Comunitária
A situação atual é em parte resultado de uma estrutura legal herdada do colonialismo britânico. A Lei de Controle das Praias de 1956 transferiu a propriedade do litoral para o Estado, permitindo que áreas costeiras sejam concedidas ou vendidas à iniciativa privada. Desde a formação da JaBEEM em 2021, a pressão para revogar essa lei e garantir acesso popular ao litoral aumentou.
Ações Judiciais em Curso
Atualmente, existem cinco ações judiciais em andamento que buscam restabelecer o uso de áreas costeiras pela população local. Os casos em disputa incluem a Baía de Mammee, a Praia de Providence e a Praia Bob Marley, onde comunidades rastafári contestam um resort de luxo avaliado em US$ 200 milhões.
Fonte: https://www.infomoney.com.br
