Há cerca de quatro anos, a designer Ligia Emanuel da Silva iniciou um pequeno negócio em um território potiguara, na cidade de Rio Tinto, litoral norte da Paraíba. Durante a pandemia da covid-19, ela teve a ideia de produzir e vender acessórios e adornos inspirados na cultura, estética e ancestralidade africanas.
O Início do Negócio
Com uma maleta de miçangas herdada de sua mãe, Ligia criou as primeiras peças do Entorno Acessórios. Trabalhando sozinha e utilizando as redes sociais para divulgação, ela não apenas busca motivação econômica, mas também vê sua atividade empreendedora como um fator cultural e político.
Impacto da Pandemia nos Negócios
Ligia é um exemplo de um dado revelador de uma pesquisa sobre empreendimentos em favelas brasileiras: 56% dos negócios começaram a operar a partir de fevereiro de 2020, quando a pandemia começou a afetar o Brasil. O levantamento, realizado pelo Data Favela, mostra que 12% das iniciativas foram abertas entre fevereiro de 2020 e abril de 2022, enquanto 44% surgiram após o fim do estado de emergência em saúde.
Motivações para Empreender
Para Cleo Santana, uma das responsáveis pelo Data Favela, a maioria dos novos negócios durante a pandemia está relacionada à crise econômica. Muitas pessoas perderam seus empregos e foram forçadas a buscar novas formas de sustento, como transformar habilidades pessoais em oportunidades de renda.
Perfil dos Empreendedores
A pesquisa entrevistou mil empreendedores de favelas e revelou que 23% tinham faturamento de até um salário mínimo. Além disso, 37% dos entrevistados precisaram de um capital inicial de até R$ 1.520 para abrir seus negócios, com a maioria recorrendo a economias pessoais para financiar suas iniciativas.
Gestão e Promoção dos Negócios
A administração dos negócios é bastante simples: 59% dos empreendedores utilizam apenas anotações em cadernos. Para promover seus produtos, 75% deles utilizam o Instagram, enquanto 58% fazem uso do WhatsApp, demonstrando a importância das redes sociais na divulgação de seus serviços.








