A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira (3), reforça a expectativa de que o Banco Central está preparado para começar o ciclo de cortes de juros na próxima reunião, marcada para março. No entanto, o documento adota um tom cauteloso, reconhecendo a melhora no cenário inflacionário e externo, mas enfatizando que a velocidade e a amplitude dos cortes dependerão da análise cuidadosa dos dados econômicos, especialmente em relação ao mercado de trabalho e ao equilíbrio fiscal.
Análise do Mercado de Trabalho e Consumo
Um dos principais pontos discutidos no documento foi o aquecimento do mercado de trabalho no Brasil, que tem mantido a renda real média em crescimento acima da produtividade. Essa situação gera preocupação no Banco Central devido ao seu potencial de pressionar o setor de serviços através do consumo, dificultando a convergência total da inflação para a meta estabelecida em 3%.
Expectativas em Relação aos Serviços
O economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung, enfatiza que essa questão é crucial para as decisões futuras. Ele observa que a preocupação está centrada nos preços de serviços, especialmente aqueles que demandam mão de obra, uma vez que o mercado de trabalho no Brasil continua bastante aquecido.
Cenário Externo e Desafios Fiscais
Os analistas observaram que o Banco Central reconheceu uma redução na incerteza do ambiente internacional a curto prazo, com commodities mais estáveis e condições financeiras mais favoráveis. Contudo, as incertezas relacionadas aos efeitos fiscais sobre a demanda ainda exigem uma postura conservadora.
Política Fiscal e Expectativas Futuras
A economista Rafaela Vitória, do Inter, afirma que a desaceleração da inflação atual abre espaço para cortes, mas o Comitê deve manter vigilância rigorosa. Ela sugere que um anúncio de uma política fiscal mais austera para 2027 poderia ajudar a estabilizar as expectativas, possibilitando cortes adicionais no futuro.
Cautela na Intensidade dos Cortes
Apesar da desaceleração consistente da inflação, o Copom não se comprometeu com a intensidade dos cortes, visando evitar um otimismo excessivo que poderia levar a uma precificação agressiva nas curvas de juros. A estratégia se reflete na escolha do termo 'serenidade', que visa moderar o entusiasmo do mercado.
Projeções de Mercado
As projeções de várias instituições financeiras convergem para um ciclo de flexibilização gradual. Economistas como Leonardo Costa, do ASA, e Julio Barros, do Daycoval, preveem cortes de 25 pontos-base na reunião de março, enquanto Caio Megale, da XP, projeta cortes consecutivos de 50 pontos-base até que a Selic atinja 12,50% ao final de 2026.
Fonte: https://www.infomoney.com.br








