O fundo imobiliário TGAR11 (TG Ativo Real) apresentou uma queda significativa de quase 15% nas últimas duas sessões, um movimento que despertou a atenção dos investidores e reacendeu discussões sobre a situação atual do fundo. Esta diminuição não é atribuída a um problema específico nos ativos, mas sim a uma combinação de revisão nas expectativas de rendimentos em um cenário de crédito mais restritivo, especialmente para projetos de incorporação.
Revisão de Expectativas e Impactos no Mercado
A repercussão negativa no mercado ocorreu após a gestão do fundo, em um relatório gerencial, revisar o guidance (projeção) de distribuição de rendimentos para o primeiro semestre de 2026, reduzindo o intervalo projetado para R$ 0,70 a R$ 1,00 por cota. Nos últimos meses, o FII vinha distribuindo rendimentos na ordem de R$ 1,00.
Fatores que Contribuem para a Desaceleração
Entre os principais fatores que contribuíram para essa situação estão a desaceleração na velocidade de vendas, atrasos na liberação de financiamentos bancários — que impactam diretamente o repasse de recursos — e o adiamento no recebimento da venda da participação na Viel.
Estratégia de Preservação de Caixa
A gestão do fundo indicou que, a curto prazo, a estratégia será mais conservadora, focando na preservação de caixa nas SPEs (Sociedades de Propósitos Específicos). Assim, os rendimentos devem refletir estritamente a geração efetiva de caixa, mesmo que o resultado contábil continue a reconhecer receitas já contratadas, mas ainda não convertidas em caixa.
Desafios do Setor de Incorporações
Atualmente, a carteira de incorporações é a mais sensível ao cenário macroeconômico. Este segmento depende fortemente de crédito bancário, enfrenta custos de obra elevados e o alongamento dos prazos de desligamento bancário. Entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, os orçamentos de obras dos projetos não performados avançaram cerca de 6,9%.
Cenário de Crédito e Seletividade Bancária
Além disso, a alta no custo do crédito reduziu significativamente o número de compradores. A taxa média de financiamento imobiliário ao comprador final elevou-se de 11,56% ao ano para 14,89%, aumentando em cerca de 24% a renda mínima necessária para aprovação de crédito em um financiamento padrão. Este efeito provoca uma redução na velocidade de vendas e prolonga ainda mais o ciclo de recebimento de caixa.
Fonte: https://www.infomoney.com.br








